De onde virão as novilhas de reposição?
Uma mudança sem precedentes na população de gado leiteiro dos Estados Unidos pode indicar incertezas à frente em relação à produção de leite, ao número de vacas e aos preços – tanto do leite quanto dos animais.
No centro dessa discussão estão as novilhas, ou melhor, a escassez delas. No relatório mais recente do USDA Cattle Inventory, divulgado em 31 de janeiro de 2025, o estoque de novilhas leiteiras com peso igual ou superior a 227 kg totalizou 3,914 milhões de cabeças. Esse é o menor número registrado para essa categoria desde 1978.
Dentro desse total, estão incluídas as novilhas que devem parir e entrar no rebanho leiteiro em 2025, estimadas em 2,5 milhões de cabeças. Esse número vem caindo drasticamente desde 2017, quando aproximadamente 600.000 novilhas a mais entravam anualmente na produção. Além disso, o número atual é o mais baixo desde que o USDA começou a monitorar esses dados em 2001.
A redução da população de novilhas está diretamente ligada à adoção do cruzamento com raças de corte para agregar mais valor ao gado leiteiro que não será usado como reposição. Esse cruzamento tem sido lucrativo, principalmente porque o rebanho bovino de corte dos EUA também está em níveis historicamente baixos, elevando a demanda por bezerros meio-sangue de corte. Como resultado, os preços desses bezerros recém-nascidos atingiram valores inéditos, ultrapassando US$ 1.000 por cabeça.
Da mesma forma, novilhas prenhes estão escassas – e caras – no mercado. No final de 2024, Holandesas prenhes começaram a ultrapassar US$ 4.000 por cabeça no mercado de Pipestone, Minnesota. Já no Leilão de Vídeo de Vacas Leiteiras de Janeiro, realizado no Turlock Livestock Auction Yard, na Califórnia, lotes de novilhas prenhes Holandesas e Jersey foram vendidos por valores médios entre US$ 3.650 e US$ 3.700 e US$ 2.750 e US$ 2.900 por cabeça, respectivamente.
O estoque reduzido de novilhas significa que os rebanhos estão produzindo apenas o necessário para atender à reposição projetada. Enquanto isso, o rebanho leiteiro nacional permanece estável, girando em torno de 9,35 milhões de cabeças.
O que ainda não está claro é se o envelhecimento do rebanho leiteiro afetará a produção total de leite, caso os produtores decidam manter as vacas por mais tempo no rebanho. Qualquer contratempo, como um surto de gripe aviária ou outro evento inesperado, poderia dificultar ainda mais a manutenção do tamanho dos rebanhos.
Por fim, apesar das incertezas, uma possível vantagem dessa mudança na oferta e demanda pode ser um aumento nos preços do leite. A previsão para o preço médio do leite em 2025 é de US$ 50,80 por 100 kg, um aumento de cerca de US$ 1,10 em relação ao ano anterior. Como a recomposição do estoque de novilhas levará pelo menos dois anos, os produtores podem se beneficiar desse cenário por um período relativamente longo.
Pesquisa e publicação: MilkPoint
Autor
marcelomaren@hotmail.com
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