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Treinar ordenhadores melhora a rotina de ordenha e a qualidade do leite. Descubra como a capacitação impacta a saúde do úbere e os resultados!

A produção de leite é uma operação complexa que requer recursos humanos qualificados para garantir a produção de leite de alta qualidade e manter a saúde do úbere. Treinar e qualificar os colaboradores em rotinas de ordenha adequadas é essencial para atingir um alto padrão de qualidade do leite e bons resultados econômicos das fazendas.

 

Por que treinar ordenhadores melhora a produção leiteira?

Esse treinamento deve estar focado na melhoria dos conhecimentos e práticas relacionadas às rotinas de ordenha, o que leva a uma maior satisfação e comprometimento dos colaboradores e maior adesão aos protocolos estabelecidos dentro da rotina da fazenda.

No caso específico da rotina de ordenha, os treinamentos influenciam em diversos benefícios para a produção como:

No entanto, poucos estudos abordaram o tema da importância do treinamento de colaboradores de fazendas leiteiras com foco específico na rotina de ordenha.

 

Impacto do treinamento na rotina de ordenha

Um estudo recente avaliou o impacto de um programa de treinamento de colaboradores de fazendas leiteiras em relação aos conhecimentos da rotina de ordenha, mudanças de comportamento durante a ordenha e sobre os indicadores de saúde do úbere e qualidade do leite. Um total de 16 fazendas do estado de Michigan, EUA, foram avaliadas no estudo, que incluiu uma sessão de treinamento que durou cerca de uma hora, com foco na patogênese da mastite, identificação e fatores de risco, bem como rotinas de ordenha específicas adaptadas a cada fazenda.

O conteúdo do treinamento foi baseado no Programa de 10 pontos de Controle de Mastite recomendado pelo Conselho Nacional de Mastite, que foi ajustado para cada fazenda. As sessões de treinamento foram realizadas no idioma preferido dos participantes, inglês ou espanhol, para garantir comunicação e compreensão claras. Foram usados vários formatos de treinamento, como plataformas de treinamento por celular, cursos on-line interativos e aulas presenciais.

Durante o estudo, foram coletados dados sobre o desempenho da rotina de ordenha, incluindo o tempo gasto durante a rotina de ordenha por vaca, tempo de preparo, tempo de contato do pré-dipping e a duração da ordenha.

Em média, cada fazenda tinha 15 colaboradores, sendo que um total de 154 participaram dos treinamentos, dos quais 61% foram ordenhadores. Após os treinamentos, houve aumento de 18% de respostas corretas em testes de conhecimento sobre mastite e rotina de ordenha. Em relação ao desempenho da rotina de ordenha, o treinamento aumentou o tempo de contato do pré-dipping e reduziu o tempo de preparo antes da ordenha.

Curiosamente, houve um aumento da detecção de casos de mastite clínica imediatamente após o treinamento, o que indica que o impacto imediato do treinamento na melhoria do diagnóstico da mastite clínica antes da ordenha. Em termos gerais, após a realização dos treinamentos, foram observadas melhorias significativas no desempenho da ordenha como:

  • Maior tempo de contato com o desinfetante antes da ordenha,
  • Melhor tempo de preparação das vacas
  • Melhor cobertura do desinfetante dos tetos após a ordenha.

Essas melhorias contribuíram para otimizar os tempos de ordenha e melhorar a saúde do úbere e qualidade do leite.

Os resultados do estudo destacam que o oferecimento de capacitação para colaboradores, independentemente da função principal, ajuda a melhorar o nível de conhecimento, comportamento e postura de todos os envolvidos na rotina de ordenha. Considerando as diferentes origens e pouca experiência da maioria dos colaboradores, é necessário adaptar os treinamentos para atender às necessidades específicas dentro de cada fazenda. Além disso, o treinamento regular é um diferencial nas fazendas que buscam reduzir a rotatividade de colaboradores e mantê-los atualizados sobre as melhores práticas. 

As conclusões indicam que o treinamento melhorou os conhecimentos e as práticas de rotinas de ordenha, o que resultou em maior satisfação dos colaboradores e maior aderência aos protocolos recomendados, com impacto positivo sobre a saúde do úbere e qualidade do leite.

Material escrito por:

 

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

 

Foto: Imprensa Sindileite-Goiás

Autor

marcelomaren@hotmail.com

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