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A silagem de milho é, sem dúvidas, a rainha das silagens no Brasil. Mas o que fazer quando as condições climáticas e agronômicas não favorecem o seu cultivo? Quais alternativas podemos explorar? Uma alternativa promissora é o milheto, uma gramínea tropical de crescimento rápido e alta tolerância à seca.

Figura 1 – Amostra de silagem de milheto.

Silagem de Milheto

A silagem de milho, como dito, é a mais tradicional utilizada para a alimentação animal, devido seu alto valor nutritivo. Contudo, produtores podem receber resultados insatisfatórios, devido principalmente às condições climáticas das regiões, composição do solo, falta de tecnologias para colheita e seu alto custo de produção. Em contrapartida, o milheto é uma cultura versátil para produção de grãos e silagem.

Ele se adapta bem ao clima tropical, tem baixo custo de produção e exige menos adubação em comparação com outras forrageiras. Seu ciclo é curto, permitindo que o produtor tenha acesso a uma rebrota rápida da cultura, garantindo uma oferta contínua de alimento. Essas características fazem com que ele seja uma excelente opção para aqueles que buscam alternativas de baixo custo e de qualidade na alimentação.

Com o objetivo de aprimorar a compreensão sobre os aspectos nutricionais da silagem de milheto, a equipe da ESALQLAB compilou análises bromatológicas do seu banco de dados comparando-os com silagem de milho.

Tabela 1 – Valores de comparação da composição bromatológica da silagem de milheto e de milho das amostras recebidas pela ESALQLAB

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Itens Silagem de milheto Silagem de milho

(n=32.196)

n Média Percentil 10 Percentil 90 CV Média
MS (%) 223 26,01 12,58 36,17 39,29 32,61
FDN (%MS) 233 54,93 43,76 68,48 30,99 41,97
DFDN48h (%FDN) 234 49,91 28,60 64,70 33,89 60,05
Amido (%MS) 218 6,40 1,70 12,66 71,21 24,82
PB (%MS) 246 12,39 7,30 16,96 38,86 7,67
EE (%MS) 244 3,09 2,10 4,10 27,08 3,67
NDT (%MS) 215 55,47 47,00 63,00 11,05 67,60
NEL (Mca/kgMS) 233 1,12 0,81 1,50 23,46 1,52

Fonte: ESALQLAB.

MS: matéria seca; FDN: fibra em detergente neutro (livre de cinzas); DFDN 48h: digestibilidade da fibra em detergente neutro em 48 horas; PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; NDT: nutrientes digestíveis totais; NEL: energia líquida de lactação; n: número amostral; Percentil 10: valor abaixo do qual estão os 10% menores dados da distribuição; Percentil 90: valor abaixo do qual estão 90% dos dados da distribuição e CV: coeficiente de variação.

 

Desafios e limitações da Silagem de milheto em comparação com a silagem de milho

Com base nos dados da Tabela 1, a silagem de milheto possui menor teor de MS em comparação com a silagem de milho o que pode representar um desafio para a fermentação desse material, sendo recomendado a utilização de inoculantes para otimizar esse processo.

Apesar de ser uma alternativa viável em diversas regiões, as silagens produzidas com milheto apresentam algumas limitações nutricionais. O FDN corresponde a mais de 50% da MS, com baixa digestibilidade. Essa característica pode comprometer o consumo voluntário dos animais e limitar o aporte energético da dieta, limitação que também está relacionada ao baixo teor de amido presente na silagem de milheto, tornando necessário um ajuste estratégico na formulação da dieta para suprir essa carência.

As características citadas anteriormente impactam diretamente a energia líquida de lactação, resultando em valores mais próximos aos de uma silagem de capim do que aos de uma silagem de milho, que normalmente apresenta valores superiores.

 

Vantagens nutricionais e benefícios da silagem de milheto na alimentação do rebanho

Por outro lado, a silagem de milheto se destaca por possuir um teor de proteína bruta significativamente superior ao da silagem de milho. Esse diferencial pode ser vantajoso na nutrição proteica do rebanho, desde que essa proteína seja de boa digestibilidade e efetivamente aproveitada pelos animais. Quando essa condição é atendida pode-se reduzir a necessidade de suplementação com fontes proteicas adicionais e contribuir para o equilíbrio da dieta.

Mesmo com algumas limitações energéticas, a silagem de milheto é uma alternativa valiosa para quem busca segurança na produção de volumosos. Sua resistência a climas adversos e a facilidade de cultivo em solos menos férteis garantem maior previsibilidade na alimentação do rebanho, reduzindo riscos e custos. Em anos de seca ou em áreas onde o milho não se desenvolve bem, o milheto pode ser a chave para manter a produção sem comprometer o desempenho dos animais.

Escrito por:
Roselena Sestari
João Pedro Monteiro do Carmo
Publicação: Portal Milk Point Ventures

Autor

marcelomaren@hotmail.com

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