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Gestão da transferência de imunidade passiva

Você já pensou em ter uma planilha que te ajude na gestão dos dados referentes a transferência de imunidade passiva em bezerros?

Quando pensamos em animais de produção, a grande meta de qualquer produtor é obter animais saudáveis e com bom desempenho, tendo à disposição todos os recursos necessários para que expressem seu máximo potencial genético. Na busca por esses objetivos, torna-se indispensável garantir a gestão eficiente dos dados e a tomada de decisão rápida e assertiva. Dentro do bezerreiro essa necessidade é ainda maior, uma vez que o tempo que os animais permanecem nessa fase é relativamente curto, porém, os reflexos desses manejos se estendem por toda sua vida produtiva.

Dentre todas as atividades que são realizadas durante a fase de cria e que podem impactar diretamente no desempenho futuro, certamente a colostragem ocupa papel de destaque, por se tratar de um manejo único (não há possibilidade de colostrar novamente o bezerro em outro momento) e que deve ser realizado de maneira rápida e sem erros. Já tratamos em inúmeros outros textos os aspectos que afetam a eficiência na transferência de imunidade passiva como o tempo de fornecimento, o volume fornecido e a qualidade imunológica e microbiológica do colostro. Tendo em vista sua importância, monitorar os resultados é fundamental para que seja possível fazer ajustes nesse processo quando necessário e que se identifique os bezerros que sofreram falhas na transferência de imunidade passiva (FTIP), os quais provavelmente necessitarão de cuidado redobrado durante a criação.

A avaliação da transferência de imunidade passiva (TIP), indicativo direto da eficiência do processo de colostragem, deve ser realizada entre 1 e 7 dias após o fornecimento do colostro e geralmente com o auxílio de um refratômetro de Brix ou de proteína. Ambos são métodos indiretos de avaliação, mas que possuem elevada correlação com a concentração sérica de imunoglobulinas nos bezerros.

Buscando auxiliar os produtores na gestão desses dados de TIP, a Michigan State University disponilizou uma planilha de forma gratuita, a qual foi elaborada por Victor Malacco, extensionista na mesma universidade, e Camila Lage, da Cornell University. A planilha é baseada no Excel e registra a TIP com base em um dos dois métodos de avaliação – proteína sérica total ou pontuações do refratômetro de Brix de amostras de soro.

A planilha também calcula a idade do bezerro no dia da avaliação e indica se essa idade está dentro da janela de tempo ideal. Se a idade do bezerro for superior a 7 dias, o número ficará vermelho, indicando que não é o ideal ser avaliado nessa idade. Após a inserção dos dados, a planilha indicará a categoria de TIP para cada bezerro individualmente e também mostrará a porcentagem de bezerros em cada categoria proposta por Lombard et al., (2020; Tabela 1) fazendo assim uma avaliação do processo como um todo no rebanho. Os valores da fazenda podem ser comparados com a meta de cada categoria de TIP.

Tabela 1. Categorias propostas de acordo com as concentrações de imunoglobulina G, equivalente de proteína sérica total, equivalente para porcentagem de Brix, e porcentagem de bezerros recomendados em cada categoria

Figura 1

Fonte: Adaptado de Lombard et al., (2020).

De acordo com a própria universidade, o uso da planilha para avaliação da eficiência dos programas de colostragem pode ser importante, pois:

  • Permite monitorar e avaliar a eficácia da TIP em um rebanho;
  • Ajuda a identificar potenciais problemas ou lacunas nas práticas de gestão da colostragem;
  • Permite intervenção e ajustes oportunos para melhorar as taxas de TIP;
  • Facilita a tomada de decisões e a definição de estratégias com base nas tendências dos dados;
  • Fornece informações valiosas para técnicos e consultores oferecerem orientação e suporte direcionados.

Visando facilitar ainda mais o uso e aplicabilidade desse recurso, nós fizemos a tradução dessa planilha, com autorização da Universidade e o download gratuito pode ser feito aqui.

 

Mais informações sobre o material e a planilha original podem ser encontrados aqui.

 

Referências

LOMBARD, J. et al. Consensus recommendations on calf-and herd-level passive immunity in dairy calves in the United States. Journal of Dairy Science, v. 103, n. 8, p. 7611-7624, 2020.

Cristiane Tomaluski
Carla Maris Machado Bittar
Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP
Publicação: Portal MilkPoint