Recuo confirmado na captação de leite no 3º trimestre de 2024
Os resultados definitivos da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, publicados hoje (05/12), confirmaram o sutil recuo na captação de leite no 3º trimestre de 2024.
Com um total de 6,29 bilhões de litros de leite captados no trimestre, a variação em relação ao 3º trimestre de 2023 ficou em -0,3%, como é possível observar no gráfico 1, acima do resultado anunciado nos dados prévios, de -0,6%.
Tabela 1. Captação mensal de leite no Brasil.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2024.
Gráfico 1. Captação formal: variação do volume total em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2024.
Em relação aos resultados estaduais, o Rio Grande do Sul seguiu chamando atenção por apresentar mais um recuo anual em sua captação formal. No terceiro trimestre deste ano, o estado captou cerca de 833 milhões de litros, ficando 4,5% abaixo do resultado da captação do mesmo período de 2023. Esses recuos observados no estado ainda são reflexos das tragédias ocorridas em maio deste ano, com muitas estruturas da produção tendo sido perdidas e danificadas, o que levará mais tempo para que a recuperação plena na produção ocorra.
Ainda dentro da região Sul, Santa Catarina também apresentou um recuo em sua captação de leite, de menos 2,2% em relação ao terceiro trimestre de 2023, enquanto o Paraná continuou apresentando crescimento em sua captação, com uma variação anual de +1,6%.
Minas Gerais, o principal estado produtor do país, seguiu apresentando um crescimento em sua captação. No terceiro trimestre deste ano, mais 40 milhões de litros de leite foram captados a mais em relação ao mesmo período de 2023, gerando uma variação positiva de 2,7% para o estado.
Em contrapartida, em relação aos demais estados que compõem os maiores produtores de leite do Brasil, Goiás e São Paulo seguiram apresentaram recuos em suas captações no terceiro trimestre de 2024, de -2,9% e -0,1%, respectivamente, como pode ser observado no gráfico 2.
Ao considerar todos os estados brasileiros, Piauí obteve pela terceira vez consecutiva o maior crescimento percentual para captação formal de leite no trimestre, de +35,7%. Outros estados nordestinos também foram destaques nos crescimentos percentuais, como Rio Grande do Norte (+20,9%), Paraíba (+18,8%) e Pernambuco (+18,5%).
Em termos de volume de leite, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os principais crescimentos ficaram com os estados de Minas Gerais (+40 milhões de litros), Paraná (+14 milhões de litros), Pernambuco (+12 milhões de litros), Sergipe (+11 milhões de litros) e Pará (+11 milhões de litros). Por outro lado, Rio Grande do Sul (-39 milhões de litros), Rondônia (-21 milhões de litros) e Goiás (-15 milhões de litros) foram os principais recuos em volume.
Gráfico 2. Variação na captação formal dos principais estados produtores entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2023.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2024.
Dentre as regiões brasileiras, o Nordeste seguiu obtendo o maior crescimento percentual no terceiro trimestre de 2024, de +6,5%, seguido da região Sudeste, que apresentou um crescimento percentual de +1,3%. Em termos de volume de leite, o Nordeste (+32 milhões de litros) e o Sudeste (+28 milhões de litros) apresentaram os maiores avanços, com a região Sul, mesmo em queda, se mantendo como a maior região produtora do país.
Gráfico 3. Variação na captação formal de leite das regiões brasileiras entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2023.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2024.
O que influenciou na diminuição da captação?
Ao fim do segundo trimestre deste ano, a nossa análise pontuou que o crescimento obtido por Minas Gerais e por alguns estados da região Nordeste havia sido os principais pontos do crescimento no segundo trimestre, visto que alguns resultados da região Sul, a maior região produtora do país, foram negativos.
No terceiro trimestre, os resultados da captação de leite também foram influenciados por fatores semelhantes aos observados anteriormente. A região Sul registrou novos recuos, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, reflexo das tragédias ocorridas no Rio Grande do Sul ao longo do ano.
Já Minas Gerais, o maior estado produtor de leite do país, que havia impulsionado positivamente os resultados do trimestre anterior, apresentou um avanço mais modesto. Embora o estado tenha registrado um aumento de 40 milhões de litros em relação ao mesmo trimestre de 2023, o crescimento foi significativamente inferior ao do trimestre anterior, quando a captação mineira havia aumentado em mais de 120 milhões de litros.
Além dos reflexos negativos do clima na produção do Sul, os desafios climáticos também afetaram Minas Gerais e os demais estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste. O atraso no início das chuvas, as temperaturas acima da média para o período e os frequentes episódios de queimadas limitaram o crescimento da produção de leite, mesmo em um cenário de melhoria na rentabilidade para os produtores.
Dessa forma, diferentemente do segundo trimestre deste ano, os recuos acabaram tendo um peso um pouco maior em relação aos avanços, resultando na queda anual de 0,3% na captação.
Expectativas para o restante 2024
Para a reta final de 2024 é esperado que a captação formal de leite apresente um crescimento, visto que o último trimestre do ano iniciou com a volta da normalidade no clima esperado para o período nas diferentes regiões e a produção de leite vem passando por um bom momento em termos de rentabilidade da atividade – ao contrário do final de 2023.
Além disso, é preciso levar em consideração que a captação de leite do último trimestre do ano é protagonizada pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que estão em seu período sazonal de maior produção. Desta forma, além de estarmos falando de um menor impacto dos recuos da região Sul no resultado trimestral, esperamos uma produção de leite para o fechamento do ano mais forte do maior estado produtor do Brasil, Minas Gerais.
Ao final de 2023, Minas Gerais apresentou um resultado menor do que o esperado pelo seu histórico. Portanto, caso o estado volte ao seu patamar habitual de produção no último trimestre do ano, o resultado tende a ser bastante positivo, pela base comparativa de 2023 ter apresentado um resultado mais baixo.